Tríade da Mulher Atleta

Já ouviu falar na Tríade da Atleta? A condição pode fazer mal à mulher atleta, por isso, é importante se cuidar para não desenvolver e se tratar se já estiver com ela.

Com a inserção das brasileiras nos esportes competitivos a partir de 1972, a compreensão das adaptações físicas e hormonais decorrentes do exercício se tornou ainda mais importante.

Observaram que a atleta, quando não se alimentava corretamente e sob alta intensidade de treinamento, ficava mais suscetível a alterações menstruais e ósseas. Foi aí, então, que surgiu o termo “Tríade da Mulher atleta ”.

A denominação da condição foi atualizada para Deficiência Relativa de Energia no Esporte (sigla em inglês RED’S). Visto que se observou sua ocorrência em homens e em praticantes de exercícios (não apenas em atletas). Além disso, as alterações, em sua maior parte, são pela baixa energia, não sendo apenas uma tríade.

Causas

A tríade da mulher acontece por causa de um desequilíbrio entre o que se ingere e o que se gasta nas atividades esportivas. Ela presenta, então, deficiência de energia para praticar exercícios. Inclusive, jovens têm mais predisposição de desenvolvê-la. Veja a seguir os fatores que podem levar ao desenvolvimento dela:

  • Exercício físico exagerado, com treinamento intenso e/ou alto volume;
  • Emagrecimento rápido;
  • Baixo percentual de gordura corporal;
  • Transtornos alimentares (anorexia/ bulimia), por causa da insatisfação com a imagem do próprio corpo;
  • Busca pelo corpo perfeito, com consequente suscetibilidade à influência da mídia;
  • Dietas restritivas, com pouca ingestão de carboidrato (Low carb), obsessão por dieta perfeita ou ainda dietas compensatórias;
  • Esportes de resistência, como a corrida;
  • Uso de medicações e/ou métodos para emagrecer.

Sintomas

  • Menstruação irregular ou ausência de menstruação;
  • Humor alterado: irritabilidade, tristeza, isolamento social;
  • Imunidade em queda: infecções respiratórias de repetição (resfriado, sinusite, dores de garganta, pneumonia);
  • Osso fraco: facilidade em ter fraturas, independente de quedas (maior chance de fratura por estresse);
  • Atraso no crescimento e desenvolvimento do corpo se ocorrer antes da puberdade;
  • Dificuldade em síntese proteica: prejudica o ganho de massa muscular;
  • Menor desempenho esportivo;
  • Maior risco de lesões;
  • Alterações hormonais: todos hormônios produzidos pelo cérebro podem sofrer mudanças;
  • Dislipidemiaalterações da gordura do sangue;
  • Alterações reprodutivas;
  • Piora da cognição: prejuízo da concentração, da coordenação e da memória;
  • Risco cardíaco aumentado: por alterações vasculares;

Tratamento

Em geral, o tratamento é comer mais! Envolve equipe multidisciplinar e apoio familiar. E também conta com acompanhamento nutricional para adequar a oferta de energia para o treino.

Do mesmo modo, o seguimento pelo médico do esporte é importante para avaliar riscos e complicações do atleta, para monitorar exames laboratoriais, composição óssea, avaliação física do atleta. Além de fazer o contato e acompanhamento com toda equipe envolvida.

Técnicos bem orientados para ajudar na evolução progressiva da intensidade e o volume dos treinos fazem toda a diferença. E um psicólogo para tratar transtornos alimentares e distúrbios de imagem, se for o caso.

Mas é importante lembrar que, dependendo da gravidade dos sintomas, o atleta deve ser afastado dos treinos.

Como prevenir a tríade da atleta

O rastreio e o diagnóstico da síndrome são um desafio, já que os sintomas podem ser discretos e não detectados na fase inicial. Então, para evitá-la é preciso:

  • Monitorar a evolução do treino, com supervisão do educador físico;
  • Manter uma dieta orientada por nutricionista;
  • Fazer acompanhamento periódico com médico do esporte para avaliar e programar os exercícios de acordo com os objetivos do atleta de forma saudável; para analisar a composição corporal, a deficiência energética para praticar exercícios; identificar alterações menstruais, ósseas , humor, imunológicas, emagrecimento e treino exagerado; e para identificar qualquer fator suspeito para apresentar a RED’S.

Simultaneamente, também é fundamental maior conhecimento dos sintomas da síndrome e de suas consequências por parte de médicos, população geral, atletas, familiares, equipe esportiva para prevenção precoce, diagnóstico e tratamento.

 

Natália Guardieiro
é médica do esporte e assistente no Hospital de Clínicas da Universidade de São Paulo (USP), especializada em fisiologia do exercício, nutrologia e dor. Trabalha no Clube Paineiras, HCFMUSP e na clínica Move (SP), acompanhou atletas de alta-performance na Copa do Mundo 2014 e nas Olimpíadas de 2016. Praticante de esportes como boxe, ciclismo e yoga, acredita no exercício físico como parte da medicina. Entre em contato em: (11) 975580047 ou  contato@nataliaguardieiro.com.br

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