Tendinopatia de Aquiles: Tratamento e Prevenção

Tendinopatia de Aquiles

Quem nunca ouviu falar do calcanhar de Aquiles? Aquiles ficou famoso por morrer ao ter seu calcanhar atingido por uma flecha envenenada.  A partir daí, emprestou seu nome para uma das lesões mais comuns na corrida: “tendinite” ou tendinopatia de Aquiles ou do calcâneo, atualmente.

Tendinopatia refere-se a qualquer lesão do tendão, tanto tendinite quando tendinose. Fala-se em tendinite quando há um processo inflamatório do tendão e é reversível. Tendinose, quando há alterações crônicas degenerativas irreversíveis, com modificação na estrutura do tendão e não há células inflamatórias.

O corredor tem 30 vezes mais risco de apresentar essa tendinopatia ou 15 vezes mais chances de romper esse tendão que outras pessoas.

O que é o tendão de Aquiles?

O tendão do calcâneo é o tendão mais grosso e forte do ser humano. Composto pelo tendão dos músculos da panturrilha, gastrocnêmio e sóleo. Sua função é ligar os músculos da panturrilha ao osso calcâneo, transferindo a força muscular ao osso.

O que você sente?

Dor no tornozelo ou no calcanhar, rigidez pela manhã, vermelhidão ou inchaço no local. Dor diminui ao caminhar ou com calor. Algumas vezes, dor pode ocorrer depois do exercício.

O que predispõe essas lesões na corrida?

Falta de fortalecimento dos músculos da panturrilha, perda de massa muscular, excesso de peso, sobrecarga do tendão por alteração de treino (maiores distâncias ou maior velocidade percorridas, treinos de salto, alteração da superfície do solo e da pisada, disfunção da biomecânica da corrida, falta de recuperação muscular, excesso de competições, baixa flexibilidade), diabetes.

Como diagnosticar?

Exame físico, por meio da inspeção, da palpação do tendão, e da realização de testes funcionais (salto). Ultrassonografia e ressonância magnética da região podem ser úteis em alguns casos.

Tipos

Tendinopatia de calcâneo não insercional: ocorre na porção média do tendão, principalmente nas regiões mais fracas, de pouca vascularização, como 2 cm acima da inserção ou 6 cm, na junção músculo-tendínea.

 

Tendinopatia insercional: ocorre na inserção, no calcâneo. Pode estar associada a alterações ósseas, como esporão e deformidade de Haglund (projeção óssea no calcâneo superior).

Como tratar?

Inicialmente, gelo no local da dor, elevação do membro, repouso, analgesia.

Os exercícios mais indicados são os de elevação e descida do calcanhar unipodálico. A descida, que é a fase excêntrica do movimento, é a mais importante, pois ajuda a produção de colágeno, o aumento da força do tendão e a recuperação. Deve-se realizá-los três vezes ao dia, quinze repetições, por seis a doze semanas. Nas tendinopatias não insercionais, a elevação e a descida do calcanhar podem ocorrer sobre um degrau. Nas insercionais, indica-se realizá-las sobre chão.

Outros recursos são as ondas de choque, escleroterapia, eletroterapia, agulhamento a seco, acupuntura, patches de nitrato, plasma rico em plaqueta e, em poucos e específicos casos, tratamento cirúrgico.

As indicações das melhores opções de tratamento devem ser individualizadas pelo médico do esporte.

Como prevenir?

Identificar fatores de risco, avaliação biomecânica, exercícios de alongamento e de fortalecimento da panturrilha, reduzir sobrecarga no tendão, recuperação adequada, uso de calçados com pequeno salto.

Natália Guardieiro
é médica do esporte com residência na Universidade de São Paulo (USP), especializada em fisiologia do exercício, nutrologia e dor. Trabalha na clínica Move (SP), acompanhou atletas de alta-performance na Copa do Mundo 2014 e nas Olimpíadas de 2016. Praticante de esportes como boxe, ciclismo e yoga, acredita no exercício físico como parte da medicina. 
Entre em contato em: (11) 975580047 ou  contato@nataliaguardieiro.com.br

Artigo publicado originalmente no blog da Revista Runners.

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